Me contaram, as estrelas em um dia nublado, cinzento. Que nada havia
dentro dela, nada além de pensamentos vazios, pedaços de carne, pele pálida. Ela parecia como um anjo, ela parecia
aqueles sonhos em que você acorda numa segunda-feira, e sorri com o
despertador. Ela era a metade da perfeição, porque a outra metade, eu iria
precisar descobrir nela. O coração poderia caber dentro da minha mão, e era
puríssimo, não havia descoberto ainda o erro interno.
Ela chorava junto com a chuva, ela escondia o seu rosto no meio dos seus
cabelos lisos, tentava arrancar de si mesma algo especial, mas não havia nada
que mudasse aqueles segundos de pânico, era ela que tentava se defender, até de
si mesmo. A chuva caía sobre ela, eu sabia que deveria resgatá-la, mas eu
simplesmente não conseguia tira-la dali. Ela era invisível á outros olhos. Mas
perfeita, aos meus.
As estrelas não mentem, e não omitem, elas escorrem a verdade, e o
segredo. Nada mais é aberto, nada mais é fechado, tudo se passa indiretamente
previsível, nada se esconde. Eu tentei entrelaçar meus dedos nos dela, mas ela
chorava tanto que não podia me abraçar, o abraço ali seria uma doença. Talvez a
ajudasse, mas quando eu a soltasse, ela iria entrar em prantos novamente. Essa
era a minha pequena, desabando com o coração nas mãos, sangrando de dor e
saudade...
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