quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O dia mal começou


Já estou cansada dessas limitações predominantes que te agarram como lençóis embalados. O que já é teu não se cicatriza mais, onde está foi só procurar.
Foram aquelas tardes brancas que você me deixava sozinho, foi aqueles olhares que me trancavam e empurravam pra me perder nos caminhos.
E eu bem sei que seus olhares falavam com meus pensamentos, eu mal pude parar de notar.
É realmente confuso todo o seu desaforo, tudo o que você se tornou, e não deixa de ser.
E todas aquelas madrugadas me enchendo de café, se pelo menos eu pude engolir.
Já não posso mais falar de você, aqueles seus textos sem nexo, sempre me traduzindo.
Buscavam estradas compridas, obstáculos ocupados, pessoas exigentes, e palavras mal trocadas. Mais tudo se pôs diante de uma pequena carta, que tudo isso logo iria terminar de queimar.
Queimou como quem dizia que não iria restar nem cinzas para terminar a história.
Hoje sou o logo desconhecido, trazido do nada, com as forças alcançadas, pois eu pude ir até o final.
Já não tem mais nem sinal da busca de uma luz, já pode até ser esquecido, ou deixado.
Eu sei que você ainda está aí, não pode mais se esconder, e ainda sei que todos os olhares foram para mim.
Eu só nunca vou deixar de buscar, pois mesmo estando tarde, o dia mal começou.
Olhe para fora, veja mais um dia começando, se lembre do olhar.

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