
Eu poderia prosseguir, mas resolvi que, por ora, esse três exemplos bastam. Três exemplos, que mais não seja, deixarão em sua boca o gosto de cinza que definiu minha existência durante qualquer dia.
Muitos seres humanos.
Muitas cores.
São disparadores dentro de mim. Torturam minha memória. Vejo-os em suas pilhas altas, todos trepados uns por cima dos outros. O ar parece feito de plástico, um horizonte como cola poente. Existem céus fabricados pelas pessoas, perfurados e vazantes, e há nuvens macias, cor de carvão, que pulsam como corações negros.
E depois.
Vem a morte.
Abrindo caminho por aquilo tudo.
Na superfície, imperturbável, resoluta.
Por baixo, abatida, desatada, desfeita.
Dizem que a guerra é a melhor amiga da morte, mas devo oferecer-lhe um ponto de vista diferente a esse respeito. Para mim, a guerra é como aquele novo chefe que espera o impossível. Olha por cima do ombro da gente e repete sem parar a mesma coisa: "Apronte logo isso, apronte logo isso." E aí agente aumenta o trabalho. Faz o que tem que ser feito. Mas o chefe não agradece. Pede mais.
Muitas vezes, tento lembrar-me dos retalhos de beleza que também vi naqueles tempos. Resolvo minha biblioteca de histórias.
A minha guerra te resultando...
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